COVID-19 ARRASTA ANGOLA PARA UMA CRISE ECONÓMICA SEM PRECEDENTES

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Especialista em Contabilidade e Finanças.
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Sem margem para dúvidas, são evidentes os dados que Angola caminha para uma crise sem precedentes.Após quatro anos de recessão económica, que vão de 2016 (-2,6%), 2017 (-0,1%) 2018 (-1,2%) e 2019 (0,9 %) segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), somos hoje desafiados a viver no limite da incerteza de uma recuperação económica que seja capaz de aliviar os estragos que o novo corona viros (covid-19) provocará na nossa economia nos próximos períodos.

Boa parte dos países do mundo encontram-se numa fase difícil e bastante sensível do ponto de vista de gestão das políticas macroeconómicas, o governo angolano vê mais uma vez as suas projecções de crescimento económico fracassarem em função de uma crise dupla dada pela queda do preço do barril do petróleo nos mercados internacionais e a desaceleração brusca do crescimento do sector não petrolífero que vê-se impossibilitado de ser a alternativa para contrapor a dependência do petróleo na economia nacional.

Uma vez que os programa de Apoio à Produção, Diversificação das Exportações e Substituição de Importações (PRODESI) e outros que indicavam ser uma aposta forte para alavancar o sector não petrolífero, mostram-se completamente ameaçados num período de incerteza e diversas restrições imposta pela situação da pandemia. Como se não bastasse, juntam-se a estáequação o crescimento do nível das taxas de inflação que afectam directamente a capacidade de consumo das famílias e o possível aumentodas taxas de desempregosque estará direitamente ligado apouca capacidade de produção das empresas e a paralisação dos investimentos quer no sector privado como no sector público. Nunca é demais relembrar que as taxas de desemprego járondam a casa dos 31.8%segundo o Instituto Nacional de Estática (INE).

Estamos perante um quadro macroeconómico completamente difícil, que coloca em risco os esforços e sacrifícios, até agora feitos quer no que respeita as reformas fiscais, bem como os ajustes feitos na política monetária, numa situação como essa é necessário que haja uma resposta urgente e proporcional ao nível do problema que se impõe, para minimizarmos o impacto da crise.

Reconheço que até agora as medidas que consistem em criar estímulos para contornar a situação económica são relevantes se colocarmos em questão a incapacidade do Estado de se financiar neste momento, mais serão insuficientes para acudir as dificuldades dos agentes económicos que claramente vem a sua situação cada vez mais graves, pelo que será necessário um esforço maior para acudir a necessidade de financiamento destes, caso se verificar um estágio avançado da pandemia no nosso país.

Enfrentamos hoje um problema desafiador, o que de modo geral obrigaum posicionamento diferente da parte do governo, capaz de unir as mais diversas inteligências do país para juntos sairmos dessa situação difícil.

Perfil

Gilberto Segunda, é formado em Economia e Gestão com especialização em Contabilidade e Finanças pela Universidade Jean Piaget. Actualmente trabalha como Contabilista e comentarista na Palanca Tv.

Email: [email protected]

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